segunda-feira, 25 de abril de 2011

Páscoa mágica

Welcome to Lennox Head

Escrevi essa matéria a exatamente um ano atrás e só tive a oportunidade de postar agora, coincidindo propositadamente, com a páscoa. Espero que gostem pois a vibe com um grande irmão foi única.

O feriado da Páscoa na Austrália é uma dos poucos que fazem todos pararem realmente.

Uma semana antes, um grande amigo e único integrante da barca comigo, Daniel Cunha, 26, o conterrâneo Dani, me instigava para fazer uma trip para Lennox Head. A idéia era maravilhosa e até então não tinha conhecido ninguém na Austrália que tivesse essa vibe, a vibe GO BIG! Como trabalhávamos todo o dia o dia todo, um feriado era o que precisávamos para o "the search" começar. Demos sorte, pois a sexta era Santa e a segunda Páscoa, nos dando um saldo positivo de quatro dias de puro surf! Comecei a monitorar o swell durante a semana e o previsto era para sexta dar uns 5 a 6 pés plus! Com a expectativa de altas ondas lá em cima só faltava pegar a Criminosa e cair na estrada ainda quinta pela noite. A Criminosa era a van que eu trabalhava durante a semana, e o chefe jamais poderia imaginar o que íamos fazer! Mas como todo surfista que se preze, tinha que arriscar, sabia que valeria a pena.

Como dito, caímos na estrada ainda na noite de quinta e chegamos no nosso primeiro destino por volta de meia noite. Nosso primeiro destino foi Tallow Beach, em Byron, uma praia mais escondida e tranquila, pois era feriado e nao queríamos crowd. Tinha conhecido esse pico através de um carioca super gente fina, o Ian, fiquei encantado com o lugar que tinha grande potencial para barrels e eu tinha que mostrar para o Dani! Dormimos no crime, porque nela tinha tudo que precisávamos. O quiver e um colchão. Acordamos meio atrasados, a viagem tinha sido cansativa alem do frio de lascar que passamos de noite. Afinal para dois baianos sentirem frio não e preciso muito! Levantei primeiro e fui ver se a maquina de Tallow estava ligada...e estava! Ligada e funcionando no nível hard! "Caralho o Dani vai pirar", pensei! Acordei ele com pressa falando que ia cair de 6'3 round pin, e só pela escolha do equipamento ele entendeu o que estava por vir. Infelizmente já havia um crowd e optamos por um pico mais a direita de Tallow. O Pico das Snake. Apelidei essa vala assim porque para chegar ate lá, tínhamos que passar por uma trilha que continha placas dizendo: Caution Snakes on way! Fizemos a escolha certa, pois no Pico das Snake eram só os dolphins, um tiozinho o Dani e eu! iiiiiiiuuuuuu!! Mais de 1,5 m com series que chegavam a 2 m fácil, varriam tudo. E antes que eu tivesse pensado alguma coisa Dani já tava na água remando em direção das bombas. Fizemos a cabeça é claro, e levei mais ainda fé no Dani. Não é só vibe não, o cara bota pra baixo mesmo! Representou e graças a Deus ele me viu representando também. Saímos com a maré quase no osso, estava ficando perigoso e a bancada já mostrava que não era brincadeira. Um wipe out naquelas situações poderia resultar em uma lesão ou baixa no equipamento e ainda era o primeiro surf do feriado. Depois de fazermos essa session, comemos e queria saber se o outro lado de Byron estava funcionando, e tocamos para The Pass. As direitas de sonho infelizmente não estava funcionando, mas Clarcks Beach, o meio da bahia de Byron, ate o antigo pier quebravam good barrels! Esquerdas e direitas, era só se servir. Fizemos mais uma session com altas ondas e para min ja tinha dado, queria descancar. Mas o Dani tava na instiga de fazer o fim de tarde em The Pass. Acompanhei ele mas preferi reverenciar o por do sol no paraíso. Naquele momento senti uma profunda saudade de casa, do Jardim e da galera local, que iriam dominar tudo ali se tivessem uma chance! Amigos como Gustavero, um verdadeiro regular tuberider de coração. Mas o dia ainda não tinha acabado e tínhamos que descolar um lugar para dormir. Um lugar sossegado, na Austrália dormir na rua é multa. Mesmo dentro do carro. O que sei é que vacilamos na escolha e no meio da noite fomos acordados por dois policiais batendo forte na van. Fizeram algumas perguntas e depois que dissemos que éramos brasileiros eles deram risada e nos liberaram. Pirados com o acontecido e preocupados onde iríamos dormir, levantamos acampamento e paramos em um lugar aparentemente tranquilo para conseguirmos descansar.

No segundo dia de trip partimos para nosso destino principal, Lennox, já tinha passado por lá uma vez, quando fui trabalhar em Coffs Harbour, mas não imaginava que era tão irado. Paramos a Criminosa em um lugar que dava para ver a montanha de Lennox, as direitas e a bahia lambendo tudo! Com o coração batendo forte fomos fazer a queda, e mais um dia o mar não estava para brincadeira. Logo na entrada passamos um sufoco, agora engraçado, mas que na hora me deixou preocupado. Nunca tínhamos surfado lá e não sabíamos por onde entrar, a frente de Lennox é pedra pura com as bombas pocando. Assistimos uns locais entrando e fomos tentar fazer igual, mas em certo momento, nem para frente, nem para traz, travei! E com o Dani atrás de mim me apressando: "Bora Porra!". Mas ali era um lugar que pressa não adianta, um passo errado chá viu né! Em fração de segundos vi o Dani sendo varrido pelas pedras ahahahahaha! Viu fella! E para não cair também pulei logo na próxima espuma que veio. Ficamos fazendo um surf tenso, conhecendo o pico, e quando as maiores séries entravam eu só pensava uma coisa: " Eta porra..agora fudeu!". Depois de um tempo ficamos mais tranqüilos, mas sem dropar as maiores, infelizmente, pois o localismo era pesado, chato e todos quebram! Tanto é que quando voltamos para a van alguém tinha escrito nela coisas do tipo: " Go home e Just locals ". Nego lá no Jardim que espere! Nossa placa era de Queensland e estávamos em New South Wales entregando tudo. Limpamos e ao entrar na van lembrei de outro grande amigo, Seu Vitor, porque ele sempre me perguntava se eu já tinha dado uma remada em Lennox e naquele momento eu podia responder de boca cheia que sim! E em condições que Seu Vitor mesmo gosta! Extremas! Voltamos para Clarcks para mais uma sessão de barrels e mais tranquila, depois de um surf junck era preciso dar uma soltada e relaxada no corpo e mente. Fechamos o dia ajudando uma mulher que fechou a porta do carro com as chaves dentro e estava desesperada, logo depois fizemos um BBQ super roots, roots porque nao tinhamos nem uma colher. Improvisamos, pedimos emprestado e isso só ajudou para que a trip tivesse cara de trip. Naquela noite fomos dormir em um camping, mas sem que ninguém soubesse. Acho que por essas coisas que os policiais deram risada da nossa cara. E como o Dani fala: "Mas ta valendo".

Quando acordamos fui apresentar um lugar ao Dani, o pico fica entre The Pass e Tallow, chamado de Wategos Beach, tomamos cafe da manha em frente, mas não caímos, estava meio gordo alem do crowd ser formado por longboarders com direito ate semi gun na água. Preferimos assistir e depois fomos dar uma checada em outros picos mas o vento estava prejudicando a formação das ondas e o lugar que sobrou foi mais uma vez Clarcks.Para mim tava tranquilo, mais barrels, mas Dani preferiu esperar. Fiz uma hora com boas ondas quando tomei uma bela vaca tentando encaixar na placa que ia rodar. Vai tentar explicar? Não da né! Vacilei. Quebrei minha 6'0 e de brinde foi uma quilha também. Sai do mar, troquei o equipamento e dessa vez acompanhado pelo Dani, voltamos para mais uma bateria. Sabíamos que o dia seguinte seria em Lennox de novo, o mar tinha mantido o tamanho e o vento tinha baixado fazendo com que a formação ficasse perfeita.

Fizemos assim: um faz a queda e o outro registra. Graças a Deus nos divertimos bastante e o destaque ficou para os locais é claro, nos ensinando como aquela onda devia ser surfada. Ao voltarmos para a Criminosa, novas escritas rupestres a decoravam. Tranquilo, era só limpar, não iria me estressar e o ultimo dia da trip tinha sido maravilhoso também. Altas ondas com a vibe lá em cima.

Voltamos para Brisbane com a sensação de dever comprido, que tudo deu certo e que nós representamos onde fomos. Sabíamos que tínhamos surfado mares de respeito e para nós tudo aquilo tinha sido mágico. Voltamos relembrando cada momento, inclusive, de um local de Lennox que quebrava muito. Ele usava uma bóia preta com o logo amarelo e isso nos chamou atenção. No primeiro dia de trabalho após a trip, fui dar uma olhada no jornal local, trabalhava em Lismore, uma pequena cidade do lado de Byron. Na seção de esportes a capa era: "Surfers rejoice the resurrection of divine breaks over Easter", com a foto do local de bóia preta no trilo do barrel. A matéria falava que Lennox não funcionava daquele jeito a tempos. "It hasn't been like this for a long time". Falava do crowd, segundo o jornal chegando a 100 cabeças, e o localismo. "It's been really busy!", foi um dos comentários. Isso só fez com que a minha certeza de que a trip tinha sido mágica se confirmasse!

Guim Vasconcelos.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Supermoon

Nascer da Lua (19/03)

Casais, amigos ou simplesmente as pessoas que estavam passando pelo Jardim de Alah presenciaram, logo após o sol se por, o fenômeno conhecido como Supermoon (quando o satélite está mais próximo da Terra).

Esse lindo espetáculo da natureza deixou todos boaquiabertos e maravilhados com tanta beleza. As nuvens junto às cores que se misturavam no céu completavam o cenário digno de pintura, uma obra de arte.

Esse fenômeno que aconteceu apenas 15 vezes nos últimos 400 anos nos mostra quanto somos privilegiados.

Guim Vasconcelos

segunda-feira, 14 de março de 2011

Águas de Março

Jardim - Nobody was there

“São as águas de Março fechando o verão”

Com as sábias palavras de uns dos grandes mestres da musica brasileira o flat agoniante de fevereiro foi embora dando lugar às águas de março. Águas que chegaram surpreendendo a todos com um bom swell e fazendo a máquina de ondas em salvador fuincionar.

Comentarios de norte a sul na cidade foi que as condições estavam animais e que ainda tinha muito mais por vir. Ouvi gente falando que na barra tava animal, com bons barrels no Barra Vento, Farol da Barra funcionando e até o banco de Santo Antonio dando as caras. Depois fiquei sabendo que no North Shore estava clássico e que em picos como no Reef e Itacimirim o crowd imperava no outside.

Com a cabeça fervendo, pois até então só tinha feito a queda no Jardim, comecei ver as matérias saindo nos sites, comentários intensos sobre o swell e as fotos diziam tudo. Instigavam, assustavam e direcionavam o surf para o lugar certo, até porque nessas alturas do campeonato, o Jardim estava muito pesado e fechando. Insurfavel.

Como quem procura surfa mais e melhor todos estavam de olho naquela vala que normalmente não quebra legal e poucos sabem de sua existência. Quem pôde acompanhar o swell se deu muito bem, se divertiu bastante e está cheio de historia para contar, principalmente aquela de que na Bahia da onda. Pena que não é constante.

Guim Vasconcelos

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Try it on


Try it on é um curta sobre como o surf influência no estilo de vida ozzy e como o estado apoia o crescimento do esporte.
Ainda em fase de criação estou postando um trailer para instigar um pouco a galera que gosta de diferentes spots!
Enjoy it!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Ho Ho Ho!

Kieren Perrow à vontade em casa

Como o Natal ta chegando e o tal do Papai Noel tem que deixar um presentinho, resolvi postar um frame de um vídeo com o Kieren Perrow botando pra dentro na Austrália. Sempre gostei muito da sua linha de surf e quando vi seu desempenho no Pipe 2010 pensei: já levou !
Prestigiar o Pipe Master todo fim de ano é muito divertido. Lá está a última chance para os que não conseguiram bons resultados e podem ser rebaixados, por isso esses vêm com tudo! Como foi o caso do Local Guy Dustin Payne que garantiu sua vaga na última onda da bateria contra Fanning, mas como nem todos conseguem continuar, Bede Durbidge amargou a derrota na sua primeira bateria, despedindo se do tour, uma pena esse cara quebra!
Esse ano aconteceu uma final diferente. Dois atletas que nunca tinha feito uma final em Pipe estavam muito confiantes desde suas primeiras baterias. Jeremy Flores mostrou muito bem que merecia estar na final, derroutou adversários de peso e depois de passar pelo Careca o resto seria lucro. Kieren com a competitividade em alta estava fazendo linhas calculadas, saindo de tubos incríveis e como um verdadeiro Australiano mostrava que na final não seria diferente.
Bateria tensa, poucas ondas e com poucos minutos para acabar o Aussie vacilou na escolha da onda e não soube trabalhar sua preferência. Resultado. Jeremy campeão e Parko coroado pela terceira vez na Triplice Crown.
Feliz Natal!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A.I

Andy Irons voltando ao Tour na Gold.

“Você soube o que aconteceu com Andy?” Essas foram às primeiras palavras de meu primo quando fui visitá-lo em seu trabalho. “Não o que foi?”. Retruquei. “Ele morreu ontem! Suspeita de dengue hemorrágica”. Chocado e ainda meio sem entender a afirmativa pensava em seus feitos em fração de segundo.
Drops realmente incríveis, deep barrels e comentários de pessoas como Shane Dorian: “ele sempre pega a maior”, me mostravam o quanto gostava de Andy.  Esse sentimento cresceu ao passar dos anos, independente dos campeonatos, assisti-lo sempre foi sinônimo de evolução no surf. Sua maestria, mostrada muitas vezes em filmes, ensinava a linha a ser feita em ondas como Teahupoo e Backdoor. Linhas essas impecáveis, culminando em assustadoras baforadas.
Falar do A.I e tocar no assunto Slater é um clichê sagrado. Isso porque ele realmente podia assustar o careca e competir de igual para igual. Desde o Pipe Master de 2002 todos sempre quiseram ver eles dois. Homem a homem em uma bateria e de preferência em uma final. O atleta from Kauai mostrou mais de uma vez que sabia trabalhar em condições extremas e de sufoco, equilibrando como poucos a raça, concentração e serenidade, muitas vezes interpretadas como rude ou marrento.
Em 2010 acompanhei sua volta ao tour no primeiro circuito na Gold Coast e ao velo vestindo a lycra de competição vi em seu rosto o prazer de estar fazendo aquilo e pensei: “Ta de volta e vai ser difícil segurar ele! Go Andy!” É verdade que seus resultados na Gold assim como nos outros eventos em 2010 não foram satisfatórios mas assistir suas baterias sempre foram uma diversão. Ainda nesse ano ele venceu o Teahupoo pro, dando esperanças a todos e a ele mesmo, mostrando que se os tops vacilarem ele tava ali.
Infelizmente essa tragédia aconteceu e assistir os próximos Pipe Master sem a presença ilustre do havaiano não será a mesma coisa.
Guim Vasconcelos

South Ba

Leo Sepulveda concentrado em Backdoor.

Lulu atento para não vacilar em Olivença.

Diego Mori riding mountains em Itacaré.

Local Yagê mostra como fazer na Tiririca. 

Descer o litoral da Bahia para surfar é uma trip que muitos já fizeram e ainda continuam a fazer. O custo beneficio é muito válido, pois a certeza de boas ondas existe,  e com a nova estrada para os lados de Itacaré a viagem ficou mais rápida.
A infinidade de ondas é um atrativo para os que não gostam de crowd, alguns lugares é preciso fazer uma trilha para chegar à praia dando um ar mais exótico e único ao lugar. Mesmo para quem não surfa fica encantado com a beleza do sul da Bahia, fortalecendo o turismo local além da especulação imobiliária.
Infelizmente alguns desses lugares a marginalidade tem crescido, atrapalhando o desenvolvimento da cidade, como é o caso de Itacaré. Altas ondas, praias lindas, potencial turístico lá em cima, mas a “bruxaria” impera na cidade, crack, boatos de roubo e coisas piores são normais. Como variedade é o que não falta, sair de carro e procurar é a melhor pedida, principalmente Praias do Norte e Olivença.
Guim Vasconcelos